POR QUE DESEJO O QUE DESEJO? – uma leitura relacional sobre a aprendizagem e o desejo mimético

by Homero Reis ©

Quando me detenho sobre os relacionamentos humanos, notadamente no campo da aprendizagem, percebo que ela não pode ser compreendida apenas como a transmissão linear de conteúdos, mas como um fenômeno complexo, impregnado de afetos, desejos, contextos históricos e vínculos humanos. 

A aprendizagem não é um ato isolado do sujeito, mas uma dinâmica relacional que se enraíza na convivência. Nesse horizonte, o conceito de desejo mimético é central, pois recorda que muito do que aprendemos advém do movimento de desejar aquilo que o outro deseja; ser “um igual a quem admiramos ou concedemos autoridade”. Não somos apenas seres que aprendem; somos seres que aprendem na imitação, no espelhamento, na busca de reconhecimento. Principalmente quando no início de nossa vida. De fato, esse processo é mais intenso nos primeiros anos de vida, mas nos acompanha a vida toda. 

Mas, antes de explorar o conceito, sua aplicabilidade e funcionalidade no nosso desenvolvimento relacional, e para deixar o fenômeno mais claro, veja algumas histórias a seguir:

Maria, de quatro anos, brincava sozinha com suas bonecas. No canto da sala, seu irmão mais velho ganhou de presente um carrinho de controle remoto. De repente, Maria deixou as bonecas e começou a chorar pedindo o carrinho. Ela não sabia exatamente como funcionava o brinquedo, nem havia pensado nele antes. Mas o simples fato de ver o irmão desejando e se divertindo despertou nela o mesmo desejo.Aqui o aprendizado não foi apenas sobre “querer um brinquedo”, mas sobre captar no olhar do outro o valor de algo. Esse movimento é o desejo mimético.  A criança aprende o que é “importante” porque alguém significativo para ela, mostra que aquilo é desejável.

Carlos era um aluno cuja fama era de alguém desinteressado de tudo e que mantinha-se indiferente às aulas. Mas tudo mudou quando uma nova professora começou a dar aula. Ela falava de Machado de Assis com paixão, recitava trechos de memória, vibrava ao interpretar os personagens. Aos poucos, Carlos começou a se interessar. Aproximou-se da professora, comprou livros usados e passou a escrever resenhas. Não foi o conteúdo “literatura” que o atraiu diretamente, mas o desejo da professora. Ela desejava o saber, e esse desejo o contagiou. Esse é o poder de um modelo relacional na aprendizagem mimética.

Joana estava em dúvida sobre que carreira seguir. Em casa, seu pai sempre falava com orgulho dos médicos da família. No colégio, suas amigas admiravam as alunas que se ingressavam pelo curso de Direito. No cursinho, encontrou um professor de biologia apaixonado pela pesquisa científica. O desejo mimético aqui se expressa em várias direções: família, grupo de pares, modelos de autoridade. Joana não escolhe sozinha; ela aprende a desejar a partir dos desejos que circulam ao seu redor. O desafio é discernir qual desses desejos se conecta de fato com sua vocação singular.

Em uma empresa, o novo gestor não só cobrava metas, mas mostrava entusiasmo genuíno pelo propósito do negócio. Ele visitava clientes, compartilhava conquistas e demonstrava orgulho pelos resultados coletivos. Em pouco tempo, a equipe começou a se engajar de forma diferente, querendo entregar mais do que o mínimo. O desejo mimético transformou o ambiente: não era só a tarefa, mas o modelo vivo de alguém que deseja com paixão. Esse clima gerou aprendizagem coletiva e motivação compartilhada.

Numa pequena comunidade, os jovens começaram a se engajar em ações sociais porque viam seus líderes cuidando das pessoas com alegria e entrega. Mais do que sermões ou doutrinas, o exemplo despertava neles o desejo de participar. Aqui o aprendizado espiritual se dá por contágio de vida: imitamos o desejo do outro quando ele é percebido como digno, justo, belo.

Essas histórias mostram como a aprendizagem e o desejo mimético caminham juntos: não aprendemos isolados, mas movidos pelo espelhamento dos desejos que circulam em nossas relações. O desafio que a Inteligência Relacional é perguntar: quais desejos vale a pena imitar?

Helena e Marcos estavam casados há mais de dez anos. Tinham uma vida tranquila, com carro novo, casa própria e dois filhos. Marcos estava satisfeito com o que tinham, mas Helena acompanhava nas redes sociais os amigos de infância que viajavam constantemente para o exterior. Aos poucos, começou a insistir com Marcos: “Precisamos conhecer o mundo, não podemos ficar para trás”. No início, Marcos achava que era apenas vaidade. Mas, depois de algumas conversas e de ver o entusiasmo da esposa ao mostrar fotos de viagens de conhecidos, ele também passou a desejar o mesmo. Já não era apenas o sonho de Helena, tornou-se também o sonho dele. O casal começou a planejar cursos de idiomas, guardar dinheiro e buscar destinos. Nesse movimento, vemos como o desejo de Helena foi contagiado por modelos externos (os amigos), e depois, por mimese, foi assimilado por Marcos. Não se trata de “copiar” no sentido superficial, mas de aprender a dar novo valor à experiência de viajar. O casal se reconfigura ao desejar junto.

Essa história mostra que, mesmo na vida adulta, no espaço íntimo da família, seguimos aprendendo a desejar por meio do outro, e que esse contágio pode abrir novos horizontes de crescimento ou até gerar tensões, dependendo de como se negocia o desejo compartilhado.

André, Rogério e Flávia eram irmãos, já adultos, casados e com filhos, eram herdeiros de um pequeno, mas lucrativo, negócio. O pai deles deixou-lhes por herança, uma casa de veraneio, além do próprio negócio. No início, parecia que tudo seria resolvido de forma simples: venderiam a casa e dividiriam o valor igualmente e tocariam o negócio em parceria.

Mas, quando um dos primos comentou como aquele imóvel tinha “potencial para virar uma pousada lucrativa”, André passou a olhar para a casa de outra forma. De repente, já não queria vendê-la. Começou a imaginar os filhos crescendo perto do mar, o negócio prosperando, a família reunida. Rogério, que até então não tinha qualquer apego ao lugar, começou também a desejar manter a casa. Não queria ficar para trás, nem abrir mão de algo que o irmão passou a valorizar. O que antes era apenas um bem comum transformou-se em motivo de disputa silenciosa. Cada um alimentava o mesmo desejo, não pelo valor da casa em si, ou do negócio, mas porque o desejo do outro dava força e intensidade ao próprio desejo.

Aqui o desejo mimético gera rivalidade: o objeto (a casa e o negócio) torna-se campo de conflito não pelo seu valor objetivo, mas porque é espelhado no olhar do outro e na “forma de ser do pai”. O aprendizado familiar, nesse caso, revela seu lado tenso: os vínculos são postos à prova quando o desejo não é discernido nem mediado pelo diálogo.

Esse tipo de história mostra como o desejo mimético, quando não é acompanhado de escuta ativa, tolerância, negociação e consciência relacional, pode minar os vínculos em vez de fortalecê-los.

René Girard nos ofereceu a formulação mais contundente desse princípio ao afirmar que “o desejo é sempre desejo do desejo do outro”. Ao escutarmos essa frase, compreendemos que nossa aprendizagem, em boa parte, está orientada por esse espelhamento. Se uma criança pede o brinquedo que outra segura, se um estudante se interessa por uma disciplina porque admira seu professor, se um jovem escolhe uma profissão ao ver seus pares valorizando determinado caminho, se a família passa a disputar o que antes era “transparente”, todos esses movimentos revelam o caráter mimético do desejo. Não desejamos em isolamento; desejamos junto com os outros (conscientes ou não), e é esse desejo compartilhado que nos impulsiona a aprender.

Conceitualmente falando, conforme sugeriu René Girard, desejo mimético “é o processo pelo qual o ser humano deseja não diretamente o objeto (ou a coisa) em si, mas aquilo que o outro deseja, tomando-o como modelo ou mediador”. O objeto passa a ser valorizado porque é desejado por alguém significativo, de modo que o desejo se constitui sempre numa relação triangular: sujeito, modelo e objeto.

Esse mecanismo explica tanto a capacidade de aprendizagem por imitação quanto a emergência de rivalidades, pois dois sujeitos podem disputar o mesmo objeto por compartilharem o mesmo modelo de desejo. Girard, discorre profundamente sobre isso no livro: Mentira romântica e verdade romanesca (1961), onde apresenta a formulação inaugural do conceito, analisando grandes romances como os de Cervantes, Stendhal, Flaubert, Proust e Dostoiévski. 

Quando associo esse conceito aos postulados da Inteligência Relacional, desejo mimético, é a força pela qual aprendemos e nos constituímos em vínculo, desejando não apenas coisas ou metas em si mesmas, mas aquilo que o outro nos apresenta como desejável. Esse movimento nos mostra que o desejo não é isolado, mas relacional, e que nossas escolhas se formam no entrelaçamento de olhares, exemplos e afetos. Reconhecer esse processo nos permite amadurecer: em vez de sermos prisioneiros de desejos alheios, tornamo-nos capazes de escolher conscientemente quais modelos queremos espelhar, cultivando desejos que geram vida, dignidade e responsabilidade compartilhada.

Do ponto de vista psicológico, Albert Bandura desenvolveu a teoria da aprendizagem social justamente para mostrar que “a maior parte daquilo que adquirimos vem da observação dos outros, de seus comportamentos e de suas consequências”. A aprendizagem é menos o resultado de instruções abstratas e mais o fruto de modelos vividos, incorporados pelo olhar. Quando vemos alguém alcançar algo, não apenas sabemos que é possível, mas desejamos também alcançá-lo. Nesse processo, o desejo se torna motor da aprendizagem.

Mas é preciso dizer que o desejo mimético não é neutro. Ele pode tanto abrir caminhos de crescimento quanto alimentar rivalidades. Girard alerta que, quando dois sujeitos desejam o mesmo objeto mediado, a rivalidade se instala, e daí podem emergir tensões e violências. Isso tem consequências práticas para a aprendizagem em grupos: quando transformamos o aprendizado em competição, corremos o risco de gerar rivalidades que bloqueiam a cooperação. Quando, ao contrário, cultivamos um ambiente de parceria, o desejo mimético se converte em força que impulsiona todos a aprender juntos.

A sociologia nos ajuda a ampliar esse olhar. Pierre Bourdieu nos recorda que “o habitus é a interiorização da exterioridade”, ou seja, aprendemos os modos de ser e agir que circulam em nosso meio, muitas vezes sem plena consciência. Quando nos adaptamos a uma cultura, seja ela qual for,  quando incorporamos gestos familiares, quando naturalizamos hábitos de consumo, quando filhos disputam  o amor dos pais, estamos aprendendo mimeticamente. Esse aprendizado é poderoso, mas também pode ser limitador. A inteligência relacional nos convida a perguntar: de quais habitus queremos ser herdeiros? Quais práticas queremos perpetuar e quais precisamos ressignificar?

No campo filosófico, Hannah Arendt acrescenta uma dimensão preciosa ao lembrar que “a educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele”. Aprender não é apenas repetir ou acumular informações; é desejar continuar no mundo junto com os outros. Esse desejo, novamente, é mimético, pois nasce do amor compartilhado por algo maior. Arendt nos faz pensar que educar é oferecer modelos de desejo que sustentem o mundo, e não que o destruam.

Nietzsche, por sua vez, nos provoca ao dizer que “tornamo-nos aquilo que contemplamos”. Aqui se inscreve um alerta: se contemplamos modelos de poder, sucesso superficial ou consumo exacerbado, acabamos desejando e aprendendo apenas esses caminhos. Mas se contemplamos a grandeza da vida, a beleza da criação e a dignidade humana, nosso aprendizado se orienta para a expansão do ser. A escolha de quem contemplamos é, portanto, decisiva para a qualidade da nossa aprendizagem.

Na psicologia histórico-cultural, Vygotsky reforça essa perspectiva ao afirmar que “toda função psíquica superior aparece primeiro no plano social para depois se interiorizar”. A aprendizagem acontece, portanto, na mediação. A zona de desenvolvimento proximal (ZDP), nos mostra que avançamos porque alguém nos aponta um horizonte além do que já alcançamos. Esse alguém, ao desejar nosso avanço, desperta em nós o desejo de avançar também.

Só para esclarecer, a zona de desenvolvimento proximal (ZDP), conceito formulado por Vygotsky, é o espaço entre aquilo que a criança já é capaz de realizar sozinha e aquilo que só consegue realizar com a mediação de outra pessoa, seja um adulto ou um par mais experiente. Vygotsky afirma que “a zona de desenvolvimento proximal define aquelas funções que ainda não amadureceram, mas que estão em processo de maturação, funções que amadurecerão amanhã, que estão atualmente em estado embrionário” . Esse conceito destaca que a aprendizagem precede e impulsiona o desenvolvimento, pois ao ser guiado por alguém, o sujeito expande suas possibilidades de ação e internaliza novas competências, tornando-se capaz de realizar sozinho aquilo que antes exigia ajuda.

A ressonância da zona de desenvolvimento proximal (ZDP), tal como formulada por Vygotsky, conecta-se  plenamente com a inteligência dos relacionamentos, se compreendemos que o desenvolvimento humano se dá no espaço entre o que já conseguimos realizar sozinhos e aquilo que só alcançamos com a ajuda do outro, vemos que o vínculo é o verdadeiro motor da aprendizagem e da qualidade das relações. A mediação, nesse sentido, não é apenas um recurso didático, mas uma experiência de confiança mútua: alguém acredita em nossa potência e se dispõe a caminhar conosco até que possamos andar por conta própria. A ZDP nos mostra que não crescemos sem essa confiança compartilhada. Como lembra Vygotsky, “o aprendizado desperta processos internos de desenvolvimento que só podem operar quando o indivíduo interage com pessoas em seu ambiente”.

Ao trazermos isso para a perspectiva da Inteligência Relacional, compreendo que a maturidade consiste justamente em reconhecer e valorizar esses espaços de mediação, transformando-os em práticas de cuidado, reciprocidade e responsabilidade compartilhada. Aprender, então, é sempre também um ato ético: um encontro em que nos autorizamos a depender do outro para poder, mais tarde, sustentar-nos e sustentar outros.

Do lado teológico, encontramos ecos semelhantes. Santo Agostinho dizia que “somos aquilo que amamos”, e amar aqui significa desejar junto com os outros. O apóstolo Paulo exorta: “sede meus imitadores, como eu sou de Cristo”. Aprender a fé, nesse sentido, é imitar desejos, é entrar em um círculo de mimese que não é de rivalidade, mas de comunhão. A tradição cristã sempre compreendeu a educação menos como transmissão de dogmas e mais como contágio de vida, contágio de desejo por um bem maior.

Na psicanálise, Donald Winnicott reforça essa linha ao afirmar que “o self verdadeiro só emerge quando encontra um ambiente suficientemente bom”. Esse ambiente sustenta o sujeito, permitindo que ele diferencie entre imitar de modo alienante e aprender de modo criativo. Quando o ambiente falha, o sujeito pode aprisionar-se em desejos que não são seus. Quando o ambiente acolhe, o sujeito pode transformar o desejo do outro em inspiração para sua própria singularidade.

Emmanuel Levinas (filósofo francês), também nos convida a refletir que “o rosto do outro é o que me obriga”. A aprendizagem, nesse sentido, não é apenas acumular conhecimentos, mas responder ao apelo ético que o outro me faz. Desejamos aprender porque reconhecemos no outro uma dignidade que nos convoca. Essa perspectiva é profundamente relacional e conecta-se diretamente à inteligência relacional: aprendemos para nos responsabilizar pelo vínculo que nos une.

Na prática, isso tem desdobramentos claros. Nas escolas, percebemos que alunos aprendem mais quando os professores encarnam o desejo pelo saber. Na gestão, descobrimos que equipes se engajam quando os líderes demonstram desejo verdadeiro pelo propósito do trabalho. Nas famílias, constatamos que filhos aprendem a amar, a cuidar, a respeitar porque veem seus pais desejando essas atitudes. Na vida espiritual, compreendemos que comunidades de fé se fortalecem quando seus membros compartilham o desejo comum pelo sagrado e pela justiça. De fato, todos aprendemos copiando aqueles (e aquilo) que nos é relevante.

A sociedade contemporânea, porém, nos coloca novos desafios. Byung-Chul Han (filósofo e ensaísta Sul-Coreano), alerta que “na sociedade da transparência, o excesso de exposição gera comparações incessantes e, com isso, novas formas de violência”. Vivemos bombardeados por desejos de outros, mediados pelas redes digitais. Aprendemos rapidamente, mas corremos o risco de aprender superficialmente, sem discernimento. A inteligência relacional nos pede que filtremos esses desejos, que cultivemos práticas de autocuidado, escuta e reciprocidade para que não sejamos arrastados por uma corrente de alienação.

Paulo Freire, grande educador, nos lembra que “ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo”. Esse pensamento é precioso: a aprendizagem é sempre relacional, e o desejo mimético é a energia que circula nessa comunhão. Quando nos encontramos para aprender, não apenas trocamos informações; compartilhamos desejos, construímos significados coletivos.

Kierkegaard acrescenta ainda que “a vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, mas só pode ser vivida olhando-se para frente”. Aprendemos, então, a partir do espelhamento do passado, mas desejamos avançar em direção ao futuro. O desejo mimético é motor de transcendência, não de estagnação.

Tomás de Aquino, em sua visão integradora de fé e razão, dizia que “o intelecto move-se pelo desejo do bem”. Aprender é, em última instância, desejar o bem, atraídos por modelos que nos indicam sua possibilidade. Quando escolhemos bem os modelos, nossa aprendizagem se torna caminho de plenitude.

Assim, a inteligência relacional se revela como um horizonte de discernimento. Reconhecemos que nossos desejos não são inteiramente nossos, que são sempre mediados pelos outros. Mas, em vez de viver isso como ameaça, podemos viver como oportunidade: escolher conscientemente a quem imitamos, que desejos cultivamos, que aprendizagens alimentamos. É nesse exercício que a maturidade se constrói, pois aprendemos a ser autores de nossa história sem negar a mediação do outro.

Em termos práticos, isso nos desafia a criar ambientes de aprendizagem que favoreçam o desejo consciente. Nas organizações, significa valorizar lideranças que inspirem pelo exemplo, e não apenas pelo comando. Na educação, significa estimular professores a mostrarem paixão pelo saber, pois essa paixão contagia. Nos protocolos terapêuticos e de mentoria, significa acolher desejos miméticos que sufocam o sujeito e atuar para ajudá-lo a transformá-los em desejos que libertam. Na espiritualidade, significa reconhecer que aprendemos juntos a desejar o transcendente. No empreendimento familiar, significa respeitar a história mas ressignificar as relações.

No fim, podemos dizer que a aprendizagem e o desejo mimético são inseparáveis. Somos seres de desejo, e é no entrelaçamento de desejos que crescemos. Como nos lembra Riane Eisler, “as sociedades florescem quando organizam seus vínculos no modelo da parceria e não da dominação”. Aprender, então, é participar de uma rede de desejos que se orientam para a vida, para a dignidade e para o cuidado mútuo.

A pergunta que nos cabe fazer é: quais desejos escolhemos imitar? Se tivermos clareza disso, poderemos transformar a aprendizagem em caminho de liberdade, e não de alienação. Mas também há outra pergunta inquietante: que exemplos damos ou deixamos que, se forem copiados, trarão dificuldades para “nós no mundo”?

Pensem nisso e reflitam em paz!

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