Se “IR” tem a ver com esse entender e agir, o que é Maturidade Relacional?

É o ganho dessa disponibilidade para conversar o que realmente precisamos conversar e ter corpo e emoção para sustentar essas conversas com responsabilidade e presença.

Tratar a IR é aprender sobre os ciclos das relações. Nem todas as relações são eternas. Como podemos aprender com a natureza?

Olhemos para o ciclo das plantas. Observe uma orquídea, seu ciclo de vida é curto e de uma beleza exuberante. Ela se coloca as vezes no tronco de um jequitibá que tem um ciclo de vida de 300 anos. Quem é melhor ou pior? Como podemos dizer que um deu mais certo do que o outro? Quando pensamos nas plantas isso se torna impensável, não é mesmo? Mas, fazemos isso com as nossas relações. As medimos e as comparações como se, necessariamente fossem da mesma natureza. Mas, não são. Cada relação tem seu ciclo e, se estivermos presentes nela, seremos capazes de perceber seu ciclo.

Precisamos aprender que as relações dentro do seu ciclo tem início, meio e fim. Isto é, precisamos aprender a ENTRAR nas relações, a MANTER, e a ENCERRAR, quando este for o caso, para continuarmos a andar com Liberdade e autonomia.

Aprender sobre isso é aprender a FLUIR nas relações! Essa é uma das competências da IR. FLUIR e ESPREITAR.

Fluir é se deixar estar presente! Se conectar no aqui-agora com o que se está vivendo e desfrutar do que há. Sem expectativas. Aqui as expectativas são um dos maiores dificultadores do FLUir. Entramos já com expectativas nos resultados, no ideal que queremos atingir. Esperamos alguns padrões de comportamentos do outro e de nós mesmos, temos uma expectativa do que é o AMOR, de como deve ser vivida a Paixão, do que é sucesso, do que é “bem viver”… e por aí vai. Nos balizamos, muitas vezes, pelas experiências dos outros, dos filmes, e nos sentimos aquém dessas experiências… Isso nos gera sofrimento e nos torna controladores das relações. Como se quiséssemos viver o conto de fadas, a experiência mágica e não o que há de belo naquilo que é real, quando realmente estamos conectados e presentes.

Aprender a FLUIR tem a ver com CONFIAR, com sair do domínio do controle para confiar de que está acontecendo aquilo que era para acontecer na relação.

Espreitar é estar na relação a partir da aprendizagem. Aprender com ela todo o tempo e a cada instante, se perceber na relação. É como se fosse a meta-conversação do relacionar. É o processo reflexivo, onde eu observo como estou fazendo o que estou fazendo, como me posiciono nessa relação. É o ENTENDER maturânico.

O Espreitar ele tem três níveis: observar, observar e observar. O primeiro observar tem a ver com a razão, capacidade de olhar a partir do pensamento, dos modelos mentais e abrir a mente para construir o novo. O segundo observar tem a ver com a disponibilidade emocional. Como nos abrimos emocionalmente para nos encontrarmos com o outro por inteiro. Por fim, o terceiro observar diz respeito ao contato com a VONTADE, com o querer mais profundo, com aquilo que nos move – que é a pergunta fundamental do Maturana: Queremos conviver?

Se a resposta a essa pergunta for sim, tudo é possível de ser construído e reconstruído, inúmeras vezes. Mas, se a resposta a essa pergunta for não, precisamos aprender a ENCERRAR a relação, que é um processo que envolve muita competência e inteligência.

Insistir na relação, quando a resposta é não, no que diz respeito a vontade mais profunda, é se agredir. Mas, precisamos ter certeza que tanto o sim ou o não estão nascendo nesse nível da VONTADE e não no PENSAR ou no SENTIR. Porque se surgir no PENSAR e no SENTIR, podemos ainda estar no domínio do “autoboicote”, ou da repetição, da habitualidade.

Daí a importância do processo de autorreflexão. Daí a importância de termos pares com quem conversar sobre nossas relações.