Perguntas Frequentes

Coaching é uma prática de apoio ao crescimento e superação de indivíduos e organizações. Se baseia em inovações desenvolvidas nas mais diversas áreas do conhecimento humano, desde a biologia até uma nova e revolucionária visão da linguagem. O objetivo é fazer com que o coachee, pessoa ou organização que passa pelo processo de coaching, tenha uma vida mais satisfatória e com significado pleno. Para as organizações coaching é uma ferramenta de coordenação de ações focada na tríade: identidade – o que é a pessoas ou a organização; tarefas – o que a pessoa ou a organização fazem; relações – o modo como a pessoa ou a organização interagem com outros atores. Tudo isso focado na melhoria de resultados. No processo de coaching um Coach (profissional) acompanha um Coachee (cliente que solicita o serviço) com perguntas e proposições sobre suas escolhas atuais, o que deseja aprender e sobre “o como” se encaminhar para o futuro que deseja. Coaching é atualmente uma das profissões que mais crescem no mercado e por isso é fundamental que a escolha do serviço e/ou formação seja respaldada por solidez e experiência, dado que ainda não tem regulamentação.

Durante muito tempo, ouvi falar sobre o QI e sua importância. As pessoas eram medidas e avaliadas pelo seu coeficiente de inteligência e isso era tido como um grande diferencial. A capacidade de ter um raciocínio logico-matemático acima da média ou a capacidade de interpretar e escrever bem eram elementos que diferenciavam as pessoas.

Com o tempo e com as pesquisas de Daniel Goleman, entre outros, pareceu-me que se começou a atinar que o QI, embora importante, não fora capaz de jogar sozinho. Ser inteligente, do ponto de vista cognitivo, ajudava no processo de compreensão das coisas, mas a inteligência emocional começou a ser vista como fundamental para balizar como as pessoas reagem e o que as move.

Em tempos atuais, a partir de estudos, artigos e conversas promovidas pelo LAB – IR (inserir link) parece que descobrimos que, ambos, inteligência cognitiva e emocional são muito importantes, mas sozinhas ainda são insuficientes.Ocorre que não aprendemos a nos relacionar. Não aprendemos a conversar. Acreditamos que essas coisas são inatas. Que nosso aparelho fonoaudiológico funciona bem e o da pessoa com quem falamos também, então, é claro que ela vai entender o que estou dizendo. Partimos do pressuposto de que somos claros no nosso falar e “limitado” é o outro que não entendeu. Partimos do “princípio da obviedade”: se eu disse, é claro que ficou claro; é claro que ele entendeu! Como não entendeu?

Assim, nos enosmesmamos e achamos que estamos certos. Justificamo-nos na incompetência do outro e assim seguimos nossa vida. Nos vemos possuidores da razão e das certezas, como se nossa forma de ver fosse a “verdade” sobre os fatos. Como se houvesse uma verdade única. Acreditamos que o que vemos e sentimos é o que é. De fato, o que é em nosso universo íntimo e particular tem a cor da verdade para nós, o que nos torna soberbos e prepotentes, se não entendemos que o mesmo ocorre com todos.

Ao fazer isso, nos mantemos medíocres e imaturos em nossos relacionamentos. Medíocres, repetindo as mesmas histórias e padrões relacionais sem aprender com eles. Imaturos, com dificuldades de ter as conversações que precisamos ter. Essas duas coisas juntas nos fazem adiar decisões, evadir as pessoas, deixar embaixo do tapete conversações que ainda que difíceis dariam a oportunidade para as pessoas crescerem, expandirem sua capacidade relacional, ganhando maturidade e profundidade nos relacionamentos.

Daí, começamos a notar que a Inteligência Emocional e a Inteligência Cognitiva estavam precisando de uma nova companheira que as trouxesse para o mundo interrelacional. Chamo essa terceira inteligência de INTELIGÊNCIA RELACIONAL (IR). É quando nos damos conta que existe a forma como eu vejo e há também a parte do outro, como ele vê, como ele sente e como percebe o que está acontecendo. É na hora que nos damos conta disso, que abrimos a possibilidade de aprender das relações e entramos no domínio relacional. É aquilo que acontece entre Eu e Você, que, quando visto a partir da perspectiva do aprendizado, estimula processos de relacionamentos mais efetivos.

É nessa perspectiva de relacionamentos mais efetivos que transitamos para aprender sobre Inteligência Relacional (IR).

A IR é aquela que vai balizar as nossas relações. É a maneira como somos e o que nos tornamos na presença do outro. O que este outro desperta em mim? O que de mim surge na presença dele? Quem sou eu quando estou com ele?

Somos muitos. Cada um de nós é na verdade vários. Você já percebeu quão diferente você é a depender de com quem, onde e quando você está?

Começamos a perceber que desenvolver a inteligência relacional tem a ver com ser capaz de responder essas perguntas e de, a partir dessas respostas, melhor se compreender nas relações e poder escolher uma forma de estar nelas de maneira mais autêntica, saudável e real.

A inteligência cognitiva trata dos assuntos da racionalidade, do pragmatismo; a inteligência emocional olha para o mundo interno, para a autocompreensão; a inteligência relacional olha para o que acontece entre Eu e Você na hora que começamos a nos relacionar, na hora que nos esbarramos, na hora que nos encontramos, na hora que discutimos, na hora que nos dizem algo que não queremos ouvir.

Nossa inteligência relacional, assim como a emocional, tem uma latência diferente da cognitiva para se desenvolver. Elas são mais melindrosas, precisam de mais tempo, de cuidado para conseguirem sustentar a mudança, precisamos trabalhar o corpo, para sustentar essa nova emocionalidade, essa nova forma de ser nas relações.

Somos seres relacionais! Nos constituímos nas relações uns com os outros. Nossa identidade se constitui na presença do outro. É na hora que nos encontramos que precisamos nos diferenciar, que precisamos saber quem somos, para não nos misturarmos com o outro. Nesse momento que a inteligência relacional se faz necessária. A inteligência relacional é a possibilidade de tirar nossas relações da transparência e nos fazer olhar para a forma como nos relacionamos com o desejo de aprender sobre nossas relações e, assim, poder escolher como queremos vive-las.

Dessa forma, deixamos de ser reféns de nós mesmos, de nosso passado, daquilo que aprendemos (sem sequer nos darmos conta) com nossos pais e outras referencias e começamos a nos tornar protagonistas da nossa própria história. Nosso passado nos constitui e precisamos honrá-lo e respeitá-lo, mas ele não precisa nos limitar. Entender isso é perceber que somos inteligentes e podemos aprender com nossas experiências para viver a novidade.

Inteligência relacional é a possibilidade de vivermos o Encontro: duas pessoas inteiras em liberdade de se escolherem mutuamente, seja no domínio pessoal, profissional, seja onde for, podemos escolher viver em liberdade.

Uma das distinções que Maturana traz é que primeiro a gente CONHECE, depois ENTENDE, e finalmente chega na AÇÃO ética. É como a teoria U: primeiro descemos, depois Presenciamos (que é o entender mais profundo) e então, a partir da força que esse presenciar enseja, impulsionamos uma Ação, bem mais coerente e com maior impacto no mundo.

Qual a diferença entre conhecer e entender? Confundimos essas duas palavras.

Quantas pessoas conhecem vc? Mas, quantas lhe entendem?

Na Inteligência relacional precisamos conhecer das relações, mas preciso entender o que me interessa conservar nas relações. Entender como funciono nas relações. Daí surge a ação ética. Como surjo na relação. Se estou numa relação contigo e estamos num conflito, o primeiro passo é conhece desse conflito. E aqui se faz uso das competências conversacionais: quais são os juízos, quais são as emoções, o que foi pedido…

Depois, vem o ENTENDIMENTO, o que isso tem a ver comigo? O que disso revela minhas dinâmicas relacionais (que é o ver de dentro, que é a real inteligência, que é gerar esse entendimento).

E aí, a AÇÃO ÉTICA, é quando a ficha cai. Que tem a ver com abrir novas conversas, estabelecer novos padrões relacionais e novos comportamentos. Por exemplo: me dou conta que fui orgulhosa, que não coloquei limites, que me desrespeitei… cada uma dessas possibilidades engatilha novas conversas.

É o ganho dessa disponibilidade para conversar o que realmente precisamos conversar e ter corpo e emoção para sustentar essas conversas com responsabilidade e presença.

Tratar a IR é aprender sobre os ciclos das relações. Nem todas as relações são eternas. Como podemos aprender com a natureza?

Olhemos para o ciclo das plantas. Observe uma orquídea, seu ciclo de vida é curto e de uma beleza exuberante. Ela se coloca as vezes no tronco de um jequitibá que tem um ciclo de vida de 300 anos. Quem é melhor ou pior? Como podemos dizer que um deu mais certo do que o outro? Quando pensamos nas plantas isso se torna impensável, não é mesmo? Mas, fazemos isso com as nossas relações. As medimos e as comparações como se, necessariamente fossem da mesma natureza. Mas, não são. Cada relação tem seu ciclo e, se estivermos presentes nela, seremos capazes de perceber seu ciclo.

Precisamos aprender que as relações dentro do seu ciclo tem início, meio e fim. Isto é, precisamos aprender a ENTRAR nas relações, a MANTER, e a ENCERRAR, quando este for o caso, para continuarmos a andar com Liberdade e autonomia.

Aprender sobre isso é aprender a FLUIR nas relações! Essa é uma das competências da IR. FLUIR e ESPREITAR.

Fluir é se deixar estar presente! Se conectar no aqui-agora com o que se está vivendo e desfrutar do que há. Sem expectativas. Aqui as expectativas são um dos maiores dificultadores do FLUir. Entramos já com expectativas nos resultados, no ideal que queremos atingir. Esperamos alguns padrões de comportamentos do outro e de nós mesmos, temos uma expectativa do que é o AMOR, de como deve ser vivida a Paixão, do que é sucesso, do que é “bem viver”… e por aí vai. Nos balizamos, muitas vezes, pelas experiências dos outros, dos filmes, e nos sentimos aquém dessas experiências… Isso nos gera sofrimento e nos torna controladores das relações. Como se quiséssemos viver o conto de fadas, a experiência mágica e não o que há de belo naquilo que é real, quando realmente estamos conectados e presentes.

Aprender a FLUIR tem a ver com CONFIAR, com sair do domínio do controle para confiar de que está acontecendo aquilo que era para acontecer na relação.

Espreitar é estar na relação a partir da aprendizagem. Aprender com ela todo o tempo e a cada instante, se perceber na relação. É como se fosse a meta-conversação do relacionar. É o processo reflexivo, onde eu observo como estou fazendo o que estou fazendo, como me posiciono nessa relação. É o ENTENDER maturânico.

O Espreitar ele tem três níveis: observar, observar e observar. O primeiro observar tem a ver com a razão, capacidade de olhar a partir do pensamento, dos modelos mentais e abrir a mente para construir o novo. O segundo observar tem a ver com a disponibilidade emocional. Como nos abrimos emocionalmente para nos encontrarmos com o outro por inteiro. Por fim, o terceiro observar diz respeito ao contato com a VONTADE, com o querer mais profundo, com aquilo que nos move – que é a pergunta fundamental do Maturana: Queremos conviver?

Se a resposta a essa pergunta for sim, tudo é possível de ser construído e reconstruído, inúmeras vezes. Mas, se a resposta a essa pergunta for não, precisamos aprender a ENCERRAR a relação, que é um processo que envolve muita competência e inteligência.

Insistir na relação, quando a resposta é não, no que diz respeito a vontade mais profunda, é se agredir. Mas, precisamos ter certeza que tanto o sim ou o não estão nascendo nesse nível da VONTADE e não no PENSAR ou no SENTIR. Porque se surgir no PENSAR e no SENTIR, podemos ainda estar no domínio do “autoboicote”, ou da repetição, da habitualidade.

Daí a importância do processo de autorreflexão. Daí a importância de termos pares com quem conversar sobre nossas relações.

 

Na IE olhamos para o mundo emocional, para como vivemos as emoções e como elas nos disponibilizam para ação. Reconhecemos que somos seres emocionais e aprendemos a observar a habilidade emocional na qual temos vivido, percebemos como e quando as mudanças acontecem… e aprendemos a calibrar as emoções (como entrar nelas, vive-las e usufruir do seu potencial). Aprendemos a ampliar o repertório emocional e como ele se reverbera no corpo. Por exemplo: fizemos um trabalho com uma coachee que, chegou se sentindo perdida, sem direcionamento profissional. Estava sem força para agir, se dizia triste. Quando começamos o trabalho, começamos a ver que isso que ela chamava de tristeza na verdade era RAIVA. Raiva contida, que por aprendizado ao longo da vida ela não se permitia sentir. Como se a raiva fosse um sentimento ruim e inadequado. Consequência disso: não colocava limites nas relações, não se posicionava, permitindo muitas vezes abuso, excesso de demandas. Colocava a serviço dos outros suas competências, tão esmerada em atender ao outros e viver para proporcionar bem-estar para os outros, que se perdeu de si. Quando se deu conta disso, entrou, no que ela chamava de tristeza profunda, numa sensação de vazio.

O trabalho que desenvolvemos com ela foi intervir no Corpo. Percebemos que o corpo apresentava uma tensão generalizada. Havia um choro contido, mais do que isso, havia um grito contido, como se a voz não pudesse sair. Como se não houvesse espaço para ela se colocar.

Primeiramente, trabalhamos o CONHECER. Apresentamos a ela a distinção da Raiva: uma emoção que tem a ver com a projeção da ação, que tem a ver com a maneira como me coloco no mundo, com ocupar o lugar que me cabe. Não desde um aspecto agressivo, mas a partir da dignidade, de me autorizar ser e poder. A Raiva tem um tônus, e aqueles que abrem mão de vivenciá-la, vivem as consequências em sua maneira de ser no mundo. Essa distinção a vez conhecer da raiva e se dar conta de que aquilo que ela chamava de tristeza a tanto tempo, na verdade era raiva contida, que a imobilizava e não a permitia escutar e validar a própria voz.

Feito isso, entramos na etapa do ENTENDIMENTO. Como isso se conectava com a história dela, com seu repertório de vida, com seus modelos mentais e com a relação com o outro. “O outro era para ser agradado, servido, atendido além de mim e minha virtude e competência está em atende-lo”. Quando ela entende isso, abre espaço para se conectar com a raiva que, inicialmente, aparece como raiva de si mesmo, com uma fala “de como me deixei tanto tempo nesse lugar? Como me negligenciei esse tempo todo?”….

Nosso foco, então, não é em nos punir pelo passado que fomos capazes de viver. Mas, pelo contrário, nos conectar com aquilo que podemos fazer agora, a partir da honradez do que foi. Assim, nos despedimos desse passado e, agora, olhamos para frente. Como se beneficiar a partir da raiva? Como aprender do seu tônus, da sua respiração, do que ela te chama a fazer?

Assim, ela fez. Fomos para o momento da AÇÃO, onde começa a Ação Ética. Entendemos por isso a ação que reivindica a nós mesmos e aos outros. Estabelece uma nova ética relacional, que preconiza o respeito mútuo. Para construirmos isso com ela, começamos um aprendizado que nasce no corpo. Como este corpo se posiciona e atua na raiva? Treinamos a respiração, a postura, a expressão facial e a conversação que a raiva enseja. Prototipamos! (conectar com o modelo U) e construímos uma ação coletiva para que ela pudesse se posicionar e se colocar a prova na presença de outras pessoas, com quem ela pudesse aprender.

Nessa ação em grupo, ela se comprometeu a se colocar: falar na frente de todos aquilo que ela queria e como queria. E o grupo deveria dizer que percebia nela essa coerência entre o que ela dizia e o que ela fazia (corpo, emoção e linguagem).

Assim foi. Ela se posicionou, recebeu feedbacks e a medida que recebia os feedbacks ela ia reposicionando sua postura. Como coaches a acompanhamos nessa aprendizagem corporal e emocional necessária para que aprendizagens profundas possam se dar.

A prototipação, então, é um momento de prática, intermediário entre o Entender e a Ação Ética propriamente dita. Uma vez vivenciado e desenvolvidas distinções corporais, emocionais e linguísticas, se chega a hora de desenhar as conversações necessárias para reestabelecer o espaço da dignidade e integridade nos relacionamentos.

Este momento é talvez onde o maior nível de desafio se apresenta nos processos de aprendizagem. Tem a ver com desenvolver a coerência entre aquilo que dizemos querer e aquilo que realmente fazemos. Sem este passo ficamos aquém de quem somos e das relações que queremos construir. É onde é posta a prova a Inteligência Relacional.

Feita essa experiência com a coachee e seguindo seu aprendizado em busca de uma postura relacional mais autêntica e íntegra, começamos a acompanha-la nas conversas que precisava ter. Desenhamos essas conversas com ela e mapeamos as pessoas com quem essas conversas precisavam acontecer. À medida que isso acontecia, ela ganhava força e se conectava com seu querer mais íntimo e se responsabilizava pela sua construção.

Começou então a ter, de fato, as conversas com as pessoas que queria ter e essas conversas foram empoderadoras para ela e para sua vontade. Não foram conversas fáceis. Exigiram dela coragem, desenho, presença, resultando num ganho de maturidade relacional que a impulsionava para suas conquistas e cada vez mais consolidava o objetivo.

Conclusão: conseguiu sair do emprego onde estava, que a incomodava e que não a fazia se sentir valorizada e abriu seu próprio negócio, onde realmente se via capaz. Hoje está engajada em seu trabalho, com várias perspectivas de crescimento, se sentindo inteira em sua construção e feliz em sua escolha. Ainda requer de momentos de acompanhamento, porque este aprendizado é algo que nunca se finda e sempre precisamos do olhar do outro, quando estamos comprometidos com a aprendizagem relacional.

É muito fácil voltarmos a padrões antigos, a armadilhas emocionais. É fácil voltar a transitar num mundo que já conhecíamos tão bem. Uma das competências que se aprende nesse caminho de desenvolvimento da IR é pedir ajuda. Dessa forma, o coach serve como alguém que acompanha e que empresta o olhar para testemunhar o crescimento e sustentar com ela a transformação contínua que, nada mais é que o ganho de maturidade relacional.