Para meu neto Lucca, uma pequena reflexão despretensiosa

antes de sua chegada.

Mais um ano se finda. Mais um ciclo se fecha. Mais uma possibilidade se abre e tudo se renova. É com essa emoção do “deixar ir para deixar vir” que escrevo o que espero e desejo para 2017.

 

Desejo para o próximo ano que a vida continue plena e sem descuido com os outros. Que o conhecimento nos venha, mas não intelectualidade, antes como experiências e aprendizagens que nos aproximem mais. Que o que aprendemos nos faça melhores com os outros, sem nos gerar prepotência no saber, nem dependência nos afetos. Que nos afine a capacidade de observar, mas que não nos torne descrentes daquilo que não vemos. Que nos venha a técnica, mas que não nos tire a intuição. Que nos venha a aceitação e o acolhimento, mas que não nos tornem subservientes. Que nos venha o mistério, mas que não nos torne míticos. Que nos venha a luz, mas que não nos cegue a beleza da sombra, nem nos faça temer a escuridão. Que venha o desejo, mas que não nos torne insaciáveis. Que venha a riqueza, mas que não nos torne autossuficientes. Que venha o sonho, mas que não nos torne iludidos. Que venham as lutas, mas que não nos tornem agressivos. Que venha o amanhã, mas que não nos tire o hoje e o agora. Que venha o outro, mas que tenhamos consciência de nós mesmos. Que venha o alimento, mas que não nos torne glutões. Que venha a fala, mas que não nos encurte a escuta.

E que todos os anos por vir, por todo o tempo que nos resta, por todo o futuro a se fazer, por todos os caminhos a  caminhar, por todos os sons a escutar, haja a plenitude da presença. Que a finalização de mais um ciclo não nos faça suficientes, nem insatisfeitos, mas plenos e certos de que caminhos foram feitos para se caminhar. Que no próximo ciclo a jornada seja cheia de novidades pelo que nossos olhos estejam atentos para enxergá-los. Que venha 2017.

Reflitam em paz!

Homero Reis